São mediterrâneos quaisquer olhos como os meus

São mediterrâneos quaisquer olhos
como os meus
Entre as porções de terra do meu rosto
Estão molhados onde escorrem
como o Deus
Quanto guturais desde a margem primeira
dessa face rústica e os corpos bruscos
e os céus sustentados por meu dorso
quão molhado por meus olhos o meu dorso.

Havia tempo desde meu corpo:
há quanto meus olhos estão físicos
numa fita pendurada do meu osso.

Devem ser essas instâncias tal estado
surtou-se uma alegria gorda
pelas paredes da minha boca
está eterna esta tarde tão pequena
pode o mundo envelhecer antes da tarde

Que só tenho essa vida miúda
e não anoiteço
que só tenho esse peito miúdo
e a tarde larga
que só conheço este estado poente
e desconheço.



(Edouard Manet)