Pela boca, dutos e águas.

São largas as margens e sondas
perseguem as vias de terra, que sou
este mundo agora, vê.

Há de ser um revel passarinho
à volúpia de minha mansidão
onde cantar-me existe o vôo
o meu bico de cantos maciços

eu gorda de almas que entram e dormem
há de ser um revel passarinho
e grita-me a emagrecer-me

Pois está mesmo essa vida como água
são largas as margens em minha boca e entram
pela gruta, pelos dentes, enxurradas

a minha boca como pedra há de rir-se
há de rir-se minha boca inacabada.



Van Gogh