Os sais porque durmo

para o Stanley

Queres as mãos, ter mais que estas e estender
as tuas mãos, tens mais que uma, mais que duas, queres para estender
e tens as mãos estiradas por onde correm as torrentes
e os óleos da manhã
As tuas mãos têm os tamanhos até aqui, e eu durmo
eu durmo e tu entras pela porta de feltro com os dedos
entre os fios, vens desde o longe, esticas-te pelas pontas porque durmo a este sítio
e trazes os sais
e depois tu recolhes as mãos com os movimentos de recolheres, e os teus braços viajam para trás como animais apropriados para isto, e os teus braços recolhem-se para trás, para trás, e os teus braços conhecem as cidades
e depois tu farás o movimento de esticar
e depois tu farás o de recolher, e eu durmo
e depois moto perpétuo passarinho, tu te voltas a vir pelo feltro
a trazeres os sais
porque durmo.



Modigliani