repara, pois, que envelhece a cidade




































Pois que anda o mundo desse jeito
hei de logo construir pelo telhado
outra casa que se entalhe em meu peito
hei de logo reformar o meu regaço

Pois que corre o mundo todo pelas sendas
aos cantos do buço ao largo dos olhos
foi há pouco envergaram estas paragens
daqui o mapa embarrigado deixou vias
tortas. Canais de firme estada caudalosa
perderam-se das cercas escorridas frente às margens.
Hás de ver se reparares desta altura
onde cedem cotovelos e raízes
ao regalo dessa torta novidade
ufanou a barra ao chão roçando da bandeira
levada a prumo na envergadura de seu mastro
há mais convexo nos pomos e nas quinas
e no céu côncavo da boca há mais dunas
as esquinas, pois, são mais esquinas
as colunas, pois, são mais colunas
se reparares, pois, verás meu dorso
de primária criatura em parábola

Pois que o mundo enveredou-se desde a sola
se por meus pés ele começa há de entortar-se
se estou velha há este mundo de entortar-se
repara, mais, pelas veredas de meu dorso
se cabe o mundo a meu vértice esgueirar-se!
Pois que o mundo emaranhou-se em meus tapetes
repara, pois, se anda o mundo doutro jeito
repara, pois, toda essa gente em minhas cavas
e suas vozes coloridas em meus dentes
outra aurora em meus dentes, outra aurora
repara, pois, que a essas horas fico tola
que de tão velha fico tola a essas horas

Pois que inteiro anda o mundo desse jeito
hei de logo construir pelo telhado
mais outras vilas que se entalhem em meu peito
hei de logo reformar o meu regaço.