outra vez em vez cavalo

Outra vez já cresce a corrida dum cavalo que explode
dois cavalos largos peitos rondam os olhos e os braços
há braços ao mar homens sobre cavalhos
que explodem
outra vez já cresce a lua contra o peito dum cavalo
desobediente e óbvio
com dois nomes para a noite e o dia que escorrem
contra o peito dum cavalo
mais cavalos
rondam largos os espaços dentro vagos da cabeça
entre os dedos e o regaço
mal respiram já espreitam pelas costas dos telhados

como o que vinha vez em vez trazer à casa um costume
doutros dias tão passados de verão tão alvo algures
"coisa brava, coisa brava, bicho enorme"
vai morrer mais um cavalo um filho um lote
de mais terras haja sinos seus badalos
há braços ao mar há luas ao peito há homens há filhos de seus enteados
de mais terras haja sinos seus badalos
outra vez já crescem potros crescem galhos
de mais terras haja terras seus telhados
de mais terras haja terras seus telhados
há braços ao mar há homens sobre cavalos.