desta costa


para Priscila, para Adônis, para nossas famílias.

Desta costa a nau desprende-se robusta,
perde-se de seu nome sobre a estância infinita e inicia
ou continua
outr’oceano. Aproxima-se com veemência um priste,
um barquinho, uma forma, pois que seja, parecida
de nome Cecília, ou Outrora, ou nós, afinal.
Nossa idade de pedras lascadas
já acenar vira tantos barcos e depois sumir
quando inda ontem nossas costas molhavam-se nas águas
mesmas dessa nau
vê, a esvair, com força tamanha
perene ao oceano e, todavia, os outros mares
ind’amanhã, e para o sempre, repetidas e eternas
vezes, deixam-se atracar.
De nós, lembremos, aproxima-se
o pequeno veleirinho, numa tímida maravilha – vês a realidade e era uma farinha invisível e morna a chover sobre o pequeno - e já quase que um pouco entalhado pelas águas.
Deixemo-lo crer jamais em nossas crostas, já que nos pomos o avesso (qual centro tão mole!)
para ele velejar.
Aquela nau vai-se a saber – as águas de seus rumores já nos quebrou, decerto, de certas cascas
e enfiou-se-nos pedr’adentro.
Ouve
nossas vidas de pedras lascadas
nossos cantos de pedras
nossas vozes disto. É sabido que todos os ouvidos estiveram sempre colados ao chão
e é fácil que à morte, pois, mais estejamos
do que a nau
a nau, não.