Vara

para a Nina Rizzi

A poesia – dir-se-ia,
permeia aos sulcos vultosos da alma –
em verdade é um porco sadio
róseo-encardido, infiltrado e só
no vulgo e multidão de nossas avenidas
Vai e os homens bradam seus brados
sob estandartes, e o porco
não podem (a tudo) mirar
Vai e seu médio correr sobre as pernas
desajeitadas leva o então rechonchudo
contra o qual é possível precipitar-se
o andar desenvolto do homem
e por vezes fazendo-nos chocar
contra as britas os dentes mais alvos.
A poesia – dir-se-ia,
sob forma feminina é um colo divino
sobre onde o poeta repousa
sua orelha macia –
em verdade é o arranque prematuro
que abandona a orelha no ar
e esta acaba-se por estatelar ao primeiro sítio concreto que exista abaixo de si.

Bem-aventurados aqueles que danificam seus corpos
em virtude do gordo animal –
deles será o reino dos mares, das musas,
o reino da solidão e dos porcos.