o cão mestiço

Teu trânsito na manhã caudalosa
preste à vinda demora tua aparição breve vazia
teu rabo
a demorar-se ignóbil enquanto tu
pareces já nem ter havido neste chão
por onde arrastas
teu cume e declínio na manhã

como pudesses com as coisas que me agitam e adormecem as pevides
como se valesses um bocado ou dois de unhas
um saquinho frouxo de sal
a ponto de esmagar-me com teu cenho o caramujo e a casa
do pobre caramujo
que intenta ao chão com o visgo um jaçanã

como se valesses os teus olhos, que rasgados
às margens infinitas da direita e da esquerda da planície amarelada de teu rosto
entrecortam os gases ou estilhaçam
as pelancas esquecidas do ar

como se dissesses o que dizes e rompesses
os tratados dimanantes entre os homens
únicos verdadeiros de sebos e suor

tua caudalosa passagem na chistosa manhã -
imundo sobre o pasto absorto que sustenta a passagem de importantíssimos quadrúpedes
um apito de plástico cego,
o ruído dos objetos,
a goteira na casa do caramujo,
há de morrer sem nome por teu direito
irrefutável e sadio
de agravar-te e sumir.



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Grata sempre a Bandeira pelas pevides, das mais belas palavras que tenho sobre a língua.