da topada no ar que é duro

a ninguém, nunca


O rinoceronte que se extingue
sem ter morrido, ou um pardal
que por irreverente decreto só daquilo poderá comer que se tenha sido feito por mãos de irrefutável senhor a quem o pardal
espera
por saber ansioso se existe.
Ou um par de formigas velhas conhecidas
que se rompe pelo bem de que o mais que se queria
poder é que se não rompessem.
Ou tão ainda uma forquilha
antinatural, que tendo sido aberta a mão, bifurcada de tão fina já não serve
pra estilingue.
Hão de morrer rinoceronte, pardal, formiga
e o menino do estilingue
terá de arrumar serviço.
Mas tudo que já não os era
volta-se a suas horas
dá cabo de seus vícios.
E morremos todos de termos sido
aquilo que de não querer
morrer tem-se vivido.