03.08.214



você tem que ir embora
nossa manhã doentia
já recobre
o cais


tudo são partidas e estio
a maneira como digo frio
te arrebenta o queixo e mais
queremos morrer
viver


é tão tarde


vamos trabalhar
a comida o pano que cobre
o ar
é tecido
e ninguém nos espera no cotovelo das coisas


quando mastigar pense
que mastigamos todos provavelmente
em segundos diferentes
e respiramos
olha


vamos morrer em instantes o mundo
é tão grande respira
parece um sonho
respirar


a menstruação o bico explodindo
dos peitos
a borboleta preta que acaba de entrar
tudo são mulheres aflitas
somos mulheres
aflitas
temos mãos
enormes
e mães


nada há que alimente